quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A mágica dos efeitos especiais de Relíquias da Morte!




Por detrás de todo grande blockbuster há sempre uma produção maior ainda. E, claro, os filmes de Harry Potter têm uma produção fantástica. E uma das suas coisas mais fantásticas são os efeitos visuais da série, que desde Pedra Filosofal são impressionantes para a época. Em 2010, mesmo em meio à supremacia dos efeitos de Avatar, Relíquias da Morte ainda assim fez bonito, tão bonito que tem grandes chances de concorrer ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais. E o site FX Guide disponibilizou fotos em alta qualidade  - e uma reportagem onde mostra o que seis empresas responsáveis pelos efeitos visuais de Relíquias da Morte fizeram. São elas: a Double Negative, Framestore, Rising Sun, Baseblack, MPC e Cinesite.

Double Negative


Com o supervisor de efeitos visuais David Vickery, a empresa criou nas extensões d’A Toca, extensão do Beco Diagonal, os gatos nos pratos do escritório da Umbridge, o ataque dos Comensais da Morte à casa dos Lovegood e ataque à ela. A Double Negative também criou a cena em que alguns personagens levantam a tenda usada no casamento, os Patronos, Comensais da Morte, e os feitiços usados nas brigas.

Framestore

Os elfos domésticos Dobby e Monstro foram criações da Framestore, guiadas pelo supervisor Christian Manz. Os elfos foram gerados por animação keyframe e outras técnicas de dispersão. A empresa também foi responsável pelo magnífico Conto dos Três Irmãos, onde Ben Hibon era o diretor responsável pela animação e que já tem projetos futuros como o remake de Peter Pan com a direção de Guilhermo del Toro. Trabalhando com os desenhos iniciais das silhuetas de papel cortadas à mão de Lotte Reiniger, os artistas confiaram no Maya e criaram as texturas no Nuke para contar a história.

Rising Sun

Foi responsável pelos Comensais da Morte, dementadores e o medalhão-horcrux. Para criar a cena em que o Snape aparece na mansão dos Malfoy, o personagem aparece inicialmente em sua forma de Comensal usando Maya para o tecido e Houdini para a fumaça que forma o seu corpo.

Já para os dementadores que antes possuíam um tecido que os deixavam mais sobrenaturais emPrisioneiro de Azkaban e a partir de Ordem da Fênix começaram a ter uma silhueta mais completa, a Rising Sun escolheu colocá-los envoltos de uma fumaça para que pudéssemos ver as suas silhuetas, já que o cenário do tribunal era bem escuro.

Baseblack

Baseblack teve a responsabilidade de criar efeitos em 300 cenas do filme, mais do que qualquer outra empresa. Ela ficou responsável por várias coisas: as cenas com o pomo, a bolsa mágica da Hermione, o ataque no café, vários feitiços, o ataque do medalhão debaixo d’água, fotos se movendo nos jornais, a criação de ambientes e a última cena onde Voldemort viola o túmulo do Dumbledore.


MPC

MPC ficou responsável por umas das cenas mais difíceis de todo o filme: dos Sete Potters, a batalha aérea e a Nagini. “Falamos sobre a sequência da poção bem no começo da produção, e basicamente começamos a trabalhar a partir das páginas do livro”, disse o supervisor de efeitos visuais da MPC, Nicolas Aithadi. “A ideia era ter uma cena só, que seria originalmente ao redor de uma mesa, mas isso mudou um pouco depois na produção. Nós falamos com o supervisor geral de efeitos Tim Burke sobre que tecnologia usar e testamos diferentes abordagens e equipamentos e logo optamos pelo sistema Contour da Mova, que foi capaz de nos dar detalhes muito finos.
Para gravar a chapa, todos os personagens – Jorge, Fred, Rony, Hermione, Fleur e Mundungo – foram filmados no set interpretando a transformação, às vezes ajustando suas alturas para ser a mesma de Harry (Daniel Radcliffe). Um segundo grupo de chapas envolveu Radcliffe interpretando cada personagem. “Ele estava vestido como Jorge e Fred etc”, disse Aithadi, “e misturamos as cenas dele atuando nas transformações, usando alguns atributos dos outros personagens, Daniel pegou detalhes bem legais, o que prova que eles se conhecem muito bem. Foram cenas muito engraçadas de ver.”
Então a produção começou a animar os rostos. Para poder mudar as formas do personagem inicial para Harry e mudá-las de maneira não-uniforme, os animadores usaram esferas. “Nós animávamos ao redor do rosto e quando entrasse em contato com o modelo, essa área sofreria uma fusão e era transformada no próximo personagem” disse Aithadi. “Outra coisa que fizemos foi construir crânios dentro desses moldes de cabeças para tentar manter a mecânica facial de cada personagem o mais fiel possível. Modificando o crânio conseguimos manter a mandíbula e tudo o mais consistente entre os personagens. Na verdade, no primeiro teste que fizemos, aplicamos a animação facial de Mundungo para Harry, e Harry não parecia ele mesmo. Tinha alguns traços do Harry, mas seu rosto estava estranho porque sua mandíbula estava se movendo diferente da do Daniel Radcliffe. Então logo percebemos que precisávamos fixar uma animação, mas mantendo a estrutura óssea.”
MPC passou cerca de sete meses fazendo a sequência da transformação, que transita para cenas da Ordem voando para A Toca em testrálios e veículos, incluindo o verdadeiro Harry que anda com Hagrid em sua moto. Mas os Comensais da Morte foram informados do plano de fuga e atacam a Ordem enquanto eles tentam escapar. Harry e Hagrid buscam refúgio mais perto do chão, mas são alcançados por Voldemort. Depois de um duelo, Harry finalmente é deixado a salvo n’A Toca. O ataque inicial acontece entre nuvens em uma sequência frenética e caótica que faz referência a filmagens no estilo da Batalha da Inglaterra. O supervisor de animação da MPC Ferran Domenech trabalhou com Tim Burke por quase um ano nos Estúdios Leavesden para pré-visualizar as cenas. Para as nuvens, a MPC usou o Maya Fluids para criar os formatos iniciais.“Houve alguns problemas de resolução,” explica Aithadi, “então dividimos cada cena da prévia tendo camadas de nuvens – e então decidimos que técnica usar. As nuvens muito no fundo, por exemplo, foram criadas pela equipe de ambiente da MPC. As nuvens de fundo e do meio foram feitas no Maya Fluids e renderizadas com o Mental Ray. As da frente também são em Maya Fluids, mas foram renderizadas no RenderMan e as nuvens ainda mais na frente foram elementos 2D adicionados.”




Feitiços lançados dos dois lados iluminam as nuvens, com a abordagem original sendo baseada na aparência de disparos da artilharia antiaérea da 2ª Guerra Mundial. “Nosso primeiro teste, entretanto, fez tudo parecer ainda mais caótico,” disse Aithadi, “então ao invés disso colocamos o feitiço dentro da nuvem como um raio e usamos isso como ferramenta para moldar a ação. Também usamos muitos brilhos de lentes – não tantos dos normais, mas mais com lentes sujas – e 
câmeras tremida para deixar a sequência mais caótica.

  Chegando no nível da rua, Harry e Hagrid se deparam com o trânsito, túneis e mais ataques. A produção bloqueou o Túnel Dartford fora de Londres por algumas noites, com cenas adicionais da moto sendo filmadas em uma pista de pouso livre em Bobbington e dentro de outro túnel. “Tivemos que pegar esses três ambientes e transformar em um,” explicou Aithadi. “Então fomos ao Túnel Dartford e tiramos fotos em 360 graus e nossa equipe de ambientes criou uma versão 3D da via usando essas fotos de base e projetou e criou algumas pinturas para as vistas da ação filmada em Bobbington. Então toda vez que você vê os carros e a moto na estrada, é tudo CG em volta. Tim Burke e David Yates queriam que o túnel fosse meio claustrofóbico e perigoso para a moto, então eles nos pediram para transformar o túnel de quatro vias em apenas duas. Então nós basicamente criamos os carros e fizemos tudo como um objeto de CG. Mas o túnel original foi usado como referência para a iluminação.”




Outro grande trabalho com efeitos da MPC foi a cobra de Voldemort, Nagini, presente em uma reunião com os Comensais da Morte e em uma cena posterior em que ela está em posse do corpo de Bathilda Bagshot e ataca Harry. “Nós já tínhamos feito Nagini antes, em O Cálice de Fogo,”comentou Aithadi. “Dessa vez Tim Burke propôs trazer um adestrador de cobras profissional para Leavesden e filmar referências e texturas de uma píton real. Achamos que seria mais assustador se Nagini parecesse uma verdadeira píton. Então depois da filmagem, decidimos deixar de lado o modelo original e fazê-lo do zero com base nessa píton, mas também criando movimentos de víbora e naja. Acho que isso fez a personagem muito mais apavorante. Voltamos para a montagem. Acrescentamos muita pele e músculos escorregando e simulação de textu
ras e animação básica.”






Cinesite

Já a  empresa Cinesite teve uma tarefa muito mais fácil que a MPC: tirar o nariz do Ralph Fiennes para o Voldemort ficar completo. O nariz de cobra de Lord Voldemort foi um dos efeitos-chave daCinesite em Relíquias da Morte: Parte 1, substituindo o nariz verdadeiro do ator Ralph Fiennes em 46 cenas. No set Fiennes interpretava com 16 marcas aplicadas por um molde. “Era uma máscara de látex que tinha buracos pelos quais eram colocadas as marcas para que ficassem sempre no mesmo lugar,” explica o supervisor de 2D da Cinesite Andy Robinson. “Isso permitiu às marcas traçar a cabeça bem melhor.” Imagens de grande alcance dinâmico dessa cena também foram capturadas e uma filmagem da textura da cabeça de Fiennes deu à Cinesite imagens polarizadas e não-polarizadas das quais puderam gerar relevos e detalhes para o rosto.” Na Cinesite, o primeiro passo era criar um rastro rígido da cabeça. “Tínhamos então o movimento básico de toda a cabeça o que nos dava uma grande vantagem,” disse Robinson, “porque aí já podia começar o processo de iluminação, a retirada das marcas e muitas vezes era só isso que podíamos fazer por um tempo. No fim das contas, o que fizemos foi desembrulhar todo o rosto do ator, usando um rastro rígido do rosto dele. Então desenvolvíamos isso no Nuke e fazíamos algumas pinturas finais.” O segundo estágio do processo era combinar os movimentos de fala de Fiennes, mais traçar do que animar a esse ponto. “Voldemort é um personagem bem expressivo, então tínhamos que articular completamente a mandíbula e o lábio superior,” disse Robinson. “Tínhamos fios para deformar a linha do lábio e vincos no rosto dele – sua expressão sorridente. Então às vezes precisávamos transformar em formas diferentes para ajustar. Não era apenas substituir o nariz – dependendo da cena os efeitos subiam para as bochechas ou até o lábio superior. Também tínhamos que traduzir o movimento sutil do nariz também, como quando o personagem fala.” Cinesite tinha uma cabeça em CG completamente construída baseada em um scan de Fiennes que foi iluminada e renderizada e podia ser usada para limpezas, como mexer em uma bochecha só e remover sombras do verdadeiro nariz. O software do estúdio, csSkinShader, foi usado para aprimorar a pele e o visual final.

A primeira parte de Relíquias da Morte foi apenas um aperitivo da segunda parte que estreia no dia 15 de julho de 2011. E pelo que dizem, será épica com direito a gigantes, aranhas, centauros e dragões. Chego a imaginar quantas empresas serão contratadas para criar toda a ação que envolverá a Parte Dois. Mas enquanto ela não chega, o máximo que podemos fazer é aproveitar ao máximo a Parte Um, já que depois que sair dos cinemas, só a veremos de novo em DVD.


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